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Casa de Criadores, 03 de Julho 

Ana Laura Seren | @alauraseren

10 JUL 2019 - 11H20

Ana Laura Seren | @alauraseren

10 JUL 2019 - 11H20

Ahlma:

A marca vegana Ahlma fez sua estréia na Casa de Criadores colocando em evidência o consumo consciente, a importância da arte e a preservação das roupas com o intuito de incentivar a sustentabilidade.

Mais do que criar desejo sobre cada peça desfilada, o objetivo da marca é fazer com que a cliente olhe para o seu próprio guarda-roupa com vontade de customizar, ressignificar, repensar, recortar e, se realmente precisar comprar algo, preferir o brechó. A Ahlma teve apoio da ASA, Associação Santo Agostinho, que doou as roupas que foram usadas nesta coleção.

O clima de otimismo é constante e vem dessa moda colorida e alegre, pela bandeira do arco-íris, que a marca utiliza desde que nasceu. Mas, mais do que os direitos LGBTQI+, ela representa a vontade de incluir todas as cores, gêneros, raças, corpos e orientações em uma mesma conversa.

Cisô:

Estreante do evento, a Cisô é a primeira marca que apresenta apenas lingeries na passarela da Casa de Criadores. No backstage, a estilista Maria Tereza Pasqua conta que, ao criar a campanha de sua nova coleção, uniu treze mulheres e sentiu a força que essa união feminina traz. “Eu até pensei em fazer alguns robes ou vestidos, mas decidi focar só na lingerie”, conta a dona da marca.

Essa decisão foi tomada para representar a força do corpo feminino usando uma lingerie poderosa, sensual, que coloca a mulher no poder de onde nunca deveria ter saído.

 

As calcinhas e sutiãs eram em sua maioria pretos, com recortes em lurex ou em um bege transparente, além de detalhes geométricos.

Existe muita coragem em um desfile apenas de mulheres de lingerie. Ele representa a força do feminismo, da sensualidade da, auto-estima, de amar seu corpo, suas curvas e sua cor.

Diego Gama:

O estilista Diego Gama partiu do conceito que sempre aborda sem seus desfiles: o afeito. Na coleção, ele olha para como as minorias se unem e se protegem em momentos sociopolíticos como os que vivemos.

 

Na passarela, as peças foram feitas  a base de veludo molhado estampas, blusas mais rígidas (trazendo a sensação de armadura) e plumas de silicone imitando algo que vem da natureza. Por ser vegano, o designer prefere reproduzir do que retirar. “Já que a realidade não está boa, a gente usa da fantasia para imaginar o novo”, ele conta.

 

São tempos difíceis para as minorias. No entanto, poucas marcas falam sobre a rede de apoio necessária nesses tempos. Diego foi um caso raro.

D-aura:

Na química, a alotropia é “a propriedade que alguns elementos químicos têm de formar uma ou mais substâncias simples diferentes”.  Segundo Lucas Menezes, da D’Aura, é a ideia de se rearranjar e se recompor. O estilista começa explicando seu desfile assim, já que as peças apresentadas no primeiro dia de Casa de Criadores não são exatamente as mesmas de seu último desfile, no Dragão Fashion Brasil, mas uma continuação orgânica do que foi proposto.

 

Nesse novo momento de retorno à Casa de Criadores, a marca explora melhor seus alicerces, como as roupas arquitetônicas e a discussão de gênero na moda.

Camisas alongadas e drapeadas, macacões utilitários, blazers, blusas assimétricas e vestidos túnica compõem bem a coleção, toda em preto, branco e cinza. Em tempos em que o discurso às vezes ultrapassa os limites da roupa, faz bem ver uma roupa bem feita e bem pensada por si só na passarela.