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Feminismo & Moda

Ana Laura Seren | @alauraseren

18 JUL 2019 - 10H19

Não só no dia das mulheres; e sim, todos os outros dias do ano é importante ressaltar nossas lutas por igualdade de gênero e entender como a moda foi importante para as conquistas sociais femininas. Peças como a minissaia, a calça e o terninho surgiram com os movimentos da revolução sexual e com a nossa entrada no mercado de trabalho.

 

Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) é possível notar uma postura mais ativa das mulheres na sociedade, onde a moda também teve destaque.Como os homens foram para os campos de batalha, elas precisaram substituir a frente dos trabalhos, que eram até então exclusivamente masculinos. Se tornaram condutoras de ônibus, entregadoras, garçonetes, funcionárias dos correios e até trabalhadoras da indústria bélica.Por isso, tiveram que se adaptar com as peças do guarda-roupa masculino,sendo exemplos a calça comprida (qual viroumoda algum tempo depois), o sapato grosseiro, roupas com botões frontal e o uso do cinto.

Já em 1920, período conhecido como Anos Loucos, a moda feminina teve o objetivo de igualar a silhueta das mulheres à dos homens. As blusas eram apertadas e as saias tinham o cós bem baixo, a fim de deixar os seios e os quadris achatados.

Nesta mesma década,teve o aparecimento de uma das estilistas mais feministas do mundo; Coco Chanel. A designer francesa se inspirava nos uniformes militares para criar as roupas das mulheres. Ela trouxe para a moda feminina os botões dourados, os debruns, as camisas listradas e a calça pantalona. Looks modernos, quais foram pensados para as mulheres independentes.

No período da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), as mulheres se direcionaram para o universo masculino, tanto nas roupas, quanto no comportamento, devido as circunstâncias da época. A moda se destacava pelo uso de duas peças, vestido chemisier, cabelos presos, sapatos masculinizados, bolsas a tiracolo e paletós com bolsos semelhantes à dos homens. Porém, com o fim da guerra, voltou a moda mais delicada, que foi predominante nos anos 1950.

Já em 1960, André Courrèges criou a “silhueta curta”, conhecida hoje como minissaia. Esta peça tornou-se um símbolo de libertação das mulheres e este movimento teve como pilares a invenção da pílula anticoncepcional e a consequente revolução sexual.

Foi ainda durante 1960 que o estilista francês Yves Saint Laurent, sugeriu o smoking para as mulheres. Este era traje masculino criado para os homens fumantes (a gola de seda tinha como função fazer escorregar as cinzas do cigarro, caso elas caíssem).Com esta ideia, o designer deu uma opção para mulheres sem tirar a feminilidade delas, já que, nas outras versões pensadas por ele, a camisa poderia ser transparente e com diversos detalhes.

Já década seguinte foi marcada pelo início do movimento hippie e o aparecimento da moda unissex, ou seja, roupas iguais para ambos os sexos. Em 1970 a calça comprida e a jaqueta também passaram a ser um look oficialmente feminino.

Em 1980 como uma maneira de se inserir no mercado de trabalho e se empoderar, a mulher passou a utilizar terninhos, calças largas, paletós, ombreiras e pastas. O estilista responsável por criar o famoso terninho foi Giorgio Armani, o qual fez dele uma assinatura e segue modernizando-o a cada coleção.

A moda de postura feminista se tornou comum e bem inserida no mercado em 1990. O uso do tênis e dos tecidos esportivos tiveram destaque no guarda-roupa das mulheres, assim como os cortes de cabelos parecidos com o dos homens.

A ausência de gênero tem como foco empoderar as mulheres e mostrar que as roupas não precisam ter uma classe definida, ou seja, serem masculinas ou femininas. Essa foi a principal ideia de Ronalgo Fraga apresentada do seu desfile de invernopara SPFW em 2016.

* Informações retiradas da M de Mulher