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Ainda há escravos por trás das roupas

Ana Laura Seren | @alauraseren

20 JUL 2019 - 10H39

Você sabe de onde vem a roupa que você compra?

Sabia que algumas das maiores marcas de moda no Brasil já estiveram envolvidas com o trabalho escravo?

A prática criminosa acontece em pequenas confecções terceirizada e tem como maioria os funcionários imigrantes. 

Conheça 5 empresas famosas que já estiveram envolvidas com a escravidão contemporânea e lembre-se sempre da importância de saber como suas roupas foram feitas antes de chegarem nas lojas.

Zara:

Em agosto de 2011, um grupo de fiscalização pegou em flagrantes estrangeiros submetidos a condições de escravidão produzindo roupa para a Zara. A equipe registrou contratações ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas de até 16h diárias e 52 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes.

 

Além disso, houveram outros flagrantes nos anos  2011, 2014, 2015, 2017. 

Renner:

A Renner foi acusada por exploração de 37 costureiros bolivianos em regime de escravidão contemporânea. O flagrante aconteceu em novembro de 2014 em uma oficina de costura terceirizada localizada na periferia de São Paulo.

 

Os trabalhadores viviam sob condições degradantes em alojamentos, cumpriam jornadas exaustivas e parte deles estava submetida à servidão por dívida. A fiscalização responsabilizou a Renner também por aliciamento e tráfico de pessoas.

Pernambucanas:

Em uma confecção da Zona Norte de São Paulo, 16 bolivianos foram flagrados sendo explorados na fabricação de blusas para a coleção Argonaut, marca jovem da Pernambucanas.

 

No local, a fiscalização constatou a degradação do ambiente, jornada exaustiva de trabalho e servidão por dívida. As vítimas trabalhavam mais de 60 horas semanais e recebiam, em média, um salário de R$ 400,00 por mês. Entre elas, duas adolescentes de 16 e 17 anos

Le Lis Blanc:

Fiscalização realizada em junho de 2013 resultou na libertação de 28 pessoas que produziam peças para a grife Le Lis Blanc em três oficinas clandestinas diferentes, incluindo uma adolescente de 16 anos. Eles recebiam entre R$ 2,50 e R$ 7 por unidade costurada.

 

As peças eram vendidas por até 100 vezes mais. Todos os resgatados eram bolivianos e alguns estavam aprisionados por dívidas. Além de escravidão, a fiscalização identificou também tráfico de pessoas.

Marisa:

Em março de 2010, a fiscalização encontrou 16 bolivianos, um deles com menos de 18 anos, e um jovem peruano trabalhando em condições análogas à escravidão na fabricação de peças para a Marisa em uma pequena oficina na cidade de São Paulo. Nenhum dos operadores de máquina tinha carteira de trabalho assinada. 

 

Cadernos com anotações dos empregadores indicavam cobranças ilegais de passagens da Bolívia para o Brasil, com a “taxas” e despesas que, segundo a fiscalização, consiste em “fortes indícios de tráfico de pessoas”, além de endividamentos por meio de descontos indevidos. Há registros de salários de R$ 202 e de R$ 247, menos da metade do salário mínimo (na época, R$ 510). 

 

A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo aplicou 43 autos de infração com passivo total de R$ 633 mil.